Homem que levou mulher morta ao hospital com sinais de estrangulamento é condenado a 12 anos de prisão


Eduardo Vieira Cintra foi a júri popular em Campinas (SP) na terça-feira (25), e sentença foi definida na noite de quarta (26). Dalila Mosciati tinha 37 anos e trabalhava como gerente de loja. Dalila Mosciati morreu em maio de 2023, em Campinas (SP)
Arquivo Pessoal/Instagram
Eduardo Vieira Cintra, preso após levar a mulher morta e com sinais de estrangulamento a um hospital em Campinas (SP) em maio de 2023, foi condenado a 12 anos de prisão pelo crime de feminicídio. O réu foi a júri popular na terça-feira (25), e a sentença foi definida na noite de quarta (26).
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Cintra foi considerado culpado por homicídio qualificado com características de feminicídio e por tentar enganar a Justiça alterando provas.
Além dos 12 anos de reclusão em regime inicial fechado, ele também deve cumprir seis meses de detenção em regime inicial semiaberto e 10 dias multa no mínimo legal.
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Em março de 2024, Cintra conseguiu liberdade provisória sob a justificativa de ser réu primário, ter “bons antecedentes” e não possuir registros anteriores de violência. Poucos dias depois, no entanto, o Ministério Público recorreu da decisão e ele voltou à prisão.
A defesa do acusado foi procurada para comentar a decisão, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
Relembre o caso
Segundo o Departamento de Polícia Judiciária (Deinter-2), a Polícia Militar foi acionada pelo hospital após a vítima, identificada como Dalila Mosciati, de 37 anos, chegar ao local sem vida e com sinais de que o óbito teria ocorrido duas horas antes.
Ainda de acordo com a polícia, Cintra permaneceu no hospital após levar a mulher, mas informou um endereço errado e saiu do local por aproximadamente 30 minutos, antes de retornar e mencionar que havia urinado nas calças.
Depois disso, o marido alegou que a mulher passou mal, como se tivesse engasgado, e que ele bagunçou a casa após entrar em desespero. Segundo a polícia, Cintra também contou que teria feito massagem cardíaca na vítima, mas decidiu levá-la ao hospital após não identificar reação.
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Gerente de loja de doces
Dalila Mosciati trabalhava como gerente de uma loja de chocolates finos desde junho de 2022. A mulher faria aniversário na semana seguinte à morte, segundo a Polícia Civil.
O perfil profissional de Dalila disponível em rede social menciona também que ela era sócia-gerente em uma empresa que atua com estampas de roupas, utilidades e decoração. Dalila era graduada em administração pela PUC-Campinas e no início da carreira fez estágios em instituições públicas.
À época do caso, Eduardo Vieira Cintra foi definido como “uma pessoa frustrada financeiramente, com problemas de instabilidade emocional e uso abusivo de drogas” por um parente da vítima.
O homem, que era próximo de Dalila, mas preferiu não ser identificado, disse que ela era o oposto de Eduardo, mas embora o marido apresentasse alguns problemas, não sabia de qualquer episódio de violência entre eles.
“Dalila era uma pessoa espetacular, uma pessoa delicada, uma pessoa estabelecida, com bom emprego, bom salário, satisfeita com o trabalho. Sempre elogiava, demonstrava felicidade, empolgação. Bem oposto do Eduardo, alguém frustrado financeiramente, com falta de emprego”, disse.
O caso foi registrado como feminicídio na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
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