
Devido ao calor intenso a que foi submetido dentro do carro por 4 horas, Salomão Rodrigues Faustino perdeu a capacidade de regular a temperatura corporal. Dona de creche está em prisão domiciliar. Salomão Rodrigues Faustino morreu depois de ficar trancado em carro, em Nerópolis
Reprodução/Redes sociais
O menino de 2 anos que morreu após ser esquecido dentro do carro pela dona de creche teve hipertermia (também conhecida como intermação) , concluiu a polícia. Devido ao calor dentro do veículo, o corpo de Salomão Rodrigues Faustino não conseguiu se esfriar, o que afetou o funcionamento dos órgãos, informou o delegado André Fernandes.
✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp
O caso aconteceu no dia 18 de fevereiro, em Nerópolis, na Região Metropolitana de Goiânia. Flaviane Lima, dona da creche, era responsável pelo transporte da criança até o local, e esqueceu o menino no carro.
“A causa da morte não foi definida pela Polícia Científica, e foram solicitados mais exames. Porém, o prontuário médico define que a morte foi às 18h22, e que a criança sofreu um total desequilíbrio de sua capacidade de regular a temperatura corporal”, explicou o delegado André Fernandes.
Na quinta-feira (27), a dona da creche teve prisão preventiva convertida em domiciliar. A juíza Sandra Regina Teixeira Campos definiu ainda outras medidas cautelares. A determinação diz que Flaviane Lima só poderá sair de casa para comparecer em Juízo ou quando for intimada por autoridade judicial. Ela deve ainda manter o endereço atualizado e não pode mudar de residência para outra cidade.
O advogado da empresária, Gildo Franks, explicou que já havia pedido o habeas corpus, pois entende que o caso dela não preenche os requisitos para a prisão preventiva. A respeito do caso, a defesa informou que vai comentar após a conclusão do inquérito.
“Liminarmente, pedimos a conversão da preventiva e domiciliar, porque ela é genitora de crianças menores de 12 anos, ela pode estar em prisão domiciliar”, afirmou.
O menino Salomão morreu após ser esquecido dentro de um carro pela dona de uma creche no dia 18 de fevereiro, informou a Polícia Civil. De acordo com a investigação, a empresária também era responsável pelo transporte da criança até a creche.
No dia em que o garoto morreu, ela o buscou, deixou a criança no banco de trás do veículo, presa à cadeirinha e com os vidros fechados, e entrou na creche. Segundo o delegado responsável pelo caso, André Fernandes, a criança ficou dentro do carro por quatro horas sob forte sol.
Ainda segundo a polícia, Flaviane chamou o Corpo de Bombeiros para socorrer Salomão. Ele foi levado ao Hospital Sagrado Coração de Jesus, mas não resistiu. O corpo de Salomão Faustino foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia e levado para Nerópolis, onde foi velado.
Ao g1, o delegado André Fernandes disse que a suspeita tentou fugir, mas foi presa em Itaberaí, a 80 km de distância de Nerópolis. A mulher foi autuada por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e encaminhada ao Complexo de Prisão Provisória de Aparecida de Goiânia, onde ficou presa preventivamente até a Justiça decidir pela conversão em domiciliar.
Depoimento da empresária
Dona de creche diz que tentou reanimar menino após ir para casa em Nerópolis, Goiás
Em depoimento durante audiência de custódia no dia seguinte da morte de Salomão, a dona da creche disse que chegou ao berçário e trabalhou normalmente. Ela afirma que só percebeu que o garoto estava no veículo quando foi para casa por conta de uma dor de cabeça (veja o vídeo acima).
“Desci na porta do berçário e entrei. Eu subi e fiz minha rotina por volta de quatro horas. Falei para uma das tias que eu ia embora, pois estava com muita dor de cabeça. Quando eu abri o carro, o Salomão dobrou o corpinho dele na cadeirinha. Quando vi, desamarrei rápido da cadeirinha e levei ele para dentro. A gente ligou para os bombeiros. Eu tentei fazer os primeiros socorros, mas a gente percebeu ali que ele já não estava mais”, declarou em depoimento.
O que dizem os pais
A mãe de Salomão, Giselle Rodrigues, disse que o filho não estava dormindo no carro. Ela lembra ainda que o menino dormiu até quase meio-dia na data em que ele foi esquecido dentro do carro.
“O meu filho não foi dormindo. Meu filho foi completamente acordado e ele ficava atrás dela. Não tem o porquê dela ter esquecido, eu não sei por que esqueceram, por que não se lembraram do meu filho”, falou para imprensa, após depor na Delegacia da Polícia Civil de Nerópolis.
Ela passou mal durante depoimento e desmaiou em entrevista para imprensa. Após desmaiar, a mãe foi levada pelos os bombeiros para o Hospital de Nerópolis. O g1 entrou em contato com o Hospital Sagrado Coração de Jesus que informou que Giselle foi atendida e liberada na sexta-feira (21).
O pai, Vilmar Faustino, contou que a esposa recebeu uma ligação, pedindo para a família ir ao hospital em que o filho estava, mas não explicaram a gravidade da situação. Ao chegar ao hospital, o pai descobriu que a equipe tentava reanimar o filho.
“Eles ligaram para ela ir até o hospital, pois o Salomão estava lá. Não falaram o que aconteceu ou qual era a gravidade da situação. A gente chegou lá e a gente recebeu um choque, pois não esperava que era algo daquela magnitude. Ele estava em reanimação para tentar ver se ele voltava. Logo mais a gente recebeu a notícia de que ele tinha vindo à óbito”, contou o pai.
📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.