VÍDEO: Deputados discutem e trocam acusações na Alesc

Durou pouco a trégua entre os deputados estaduais Ivan Naatz (PL) e a Paulinha (Podemos). Na sessão plenária desta quarta-feira (26), os dois travaram um intenso embate. A discussão teve início quando Paulinha usou a tribuna para denunciar episódios recentes que classificou como violência política de gênero.

Ivan Naatz e Paulinha travaram uma discussão áspera no Plenário – Foto: Rodolfo Espínola/AgênciaAL/ND

Durante seu discurso, a parlamentar citou declarações feitas por Naatz em um grupo de mensagens da Bancada Parlamentar do Vale do Itajaí, nas quais foi chamada repetidamente de “golpista”, e mencionou um comentário do deputado sobre sua vestimenta em uma postagem oficial da Alesc.

Paulinha afirmou que as ofensas começaram após ela assumir a coordenação da bancada pelos próximos cinco meses, posição que, segundo ela, foi decidida em comum acordo com os deputados da região.

E que ela e o deputado Oscar Gutz (PL) alinharam com os deputados presentes da bancada para dividir a coordenação do grupo em 2025 “Desde o dia 18 de março, venho enfrentando um episódio que reabriu uma ferida na minha trajetória pública”, disse.


Discussão acalorada entre os deputados estaduais Paulinha e Ivan Naatz – Vídeo: Reprodução/TVALESC/ND

Ela também destacou a importância de combater a violência política de gênero e citou a lei 14.192/2021, sancionada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que tipifica esse tipo de violência e prevê penas de 1 a 4 anos de reclusão.

“Propor e aprovar leis em favor das mulheres é importante, mas, se não estivermos dispostos a cultivá-las e a cumpri-las, não merecemos a honra de estar aqui”, declarou a deputada.

Ivan Naatz, que estava presente no plenário, subiu à tribuna logo em seguida e negou que suas críticas tivessem caráter machista ou misógino. Em tom provocativo, ele reafirmou as acusações e questionou a legitimidade da escolha de Paulinha como coordenadora da bancada.

“Qualquer pessoa que se autoproclame representante de um grupo sem ter sido legitimamente eleita é um golpista. Se for homem ou se for mulher.”, disparou.

Deputados discutiram foram dos microfones

O parlamentar também criticou o que chamou de “vitimização” e atacou movimentos feministas. “Se vitimar como mulher é um erro. Assim como se vitimar como homem também é. E quem vem com discurso de que eu estou sendo porque sou mulher é porque é fraca, não tem argumento, não sabe se defender sozinha. Só usa o argumento da feminilidade quem não tem capacidade para se defender. Existem outras mulheres deputadas aqui nessa Casa e nunca usaram o argumento da feminilidade para fazer defesa dos seus projetos”, afirmou.

Mesmo após os discursos, a discussão continuou no plenário. Paulinha usou o microfone do plenário para contrapor Naatz. Em tom firme, ela afirmou que não se intimidaria mais.

“Lhe mostrar que nós não vamos mais tolerar crimes. Nenhuma pode receber o tratamento que o senhor nos oferta e o senhor não me intimidará mais, nunca mais enquanto eu estiver nessa Casa”, disse a parlamentar, e retrucou o colega, dizendo que a deputada mais votada do Vale do Itajaí foi ela, diferente do que tinha afirmado Naatz.

Deputados Naatz e Paulinha trocaram farpas no Plenário e foi preciso intervenção do deputado Mário Motta - Foto: Rodolfo Espínola/AgênciaAL/ND

Deputados Naatz e Paulinha trocaram farpas no Plenário e foi preciso intervenção do deputado Mário Motta – Foto: Rodolfo Espínola/AgênciaAL/ND

Naatz rebateu com ironia, questionando a capacidade cognitiva de Paulinha e reafirmando que sua crítica não tinha relação com gênero. “Ela não é coordenadora do nosso grupo. Ela não foi eleita. Não porque ela não é mulher. É porque ela não foi eleita”, disse o deputado.

Enquanto a deputada estadual Luciane Carminatti (PT) iniciava seu discurso na tribuna, foi interrompida com a discussão encalorada dos dois deputados fora dos microfones. Diante do clima cada vez mais tenso, o deputado Mário Motta (PSD) precisou intervir para evitar que a discussão saísse do controle.

A deputada Luciane Carminatti (PT), que discursou na sequência, sugeriu que o caso fosse encaminhado ao Conselho de Ética.

 

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