
A Polícia Civil de Santa Catarina investiga uma denúncia de violência verbal e psicológica contra duas crianças autistas, de 9 anos, na escola estadual Professora Antônia Alpaídes Cardoso dos Santos, localizada no bairro Nova Brasília, em Joinville. O caso veio à tona na semana em que se celebra o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

Mãe denúncia violência psicológica contra filhas com autismo em escola da rede estadual em Joinville – Foto: Gladionor Ramos/NDTV
Em entrevista à NDTV Record, a mãe das crianças, que são gêmeas, relatou que uma funcionária da instituição teria cometido agressões psicológicas durante uma aula. Segundo Beatriz Silva Lopes, dona de casa e mãe das vítimas, a profissional teria pressionado as crianças a realizarem uma atividade e, ao perceber a resistência delas, as separou e fez comentários que teriam causado abalo emocional.
“Eu me dirigi à escola, só que não sabia qual cenário eu ia encontrar e quando eu cheguei, encontrei ela toda molhada, chorando e tremula e minha outra filha veio correndo na minha direção, chorando e tremendo, ela estava em uma crise que queria agredir para se defender”, relembrou a mãe.
A mãe também afirmou que uma das crianças relatou ter tido o braço forçado por uma funcionária para ser retirada da sala de aula. O episódio ocorreu no último dia 24.
“Eu me senti vulnerável, me senti impotente, eu não consegui proteger meus únicos bens que são meus filhos, não tinha força para lidar com aquilo”, desabafou emocionada.

Mãe registrou boletim de ocorrência e pede por justiça – Foto: Gladionor Ramos/NDTV
Investigação e medidas legais
O caso foi registrado como injúria e está sob investigação da Polícia Civil, que deve solicitar informações à escola sobre o ocorrido. Enquanto isso, as crianças deixaram de frequentar as aulas e a família busca assistência jurídica para garantir a continuidade dos estudos em um ambiente seguro.
A advogada Rosângela Victório Eugênio, que representa Beatriz afirmou que, até o momento, a única alternativa oferecida foi transferir as crianças para uma escola distante. “Nosso foco é garantir uma decisão judicial que possibilite a educação adequada para essas crianças e a responsabilização dos envolvidos”, disse a defensora.

Advogada acompanha o caso, que é investigado pela Polícia Civil – Foto: Gladionor Ramos/NDTV
A Coordenadoria Regional de Educação de Joinville, ligada à Secretaria de Educação do Estado, emitiu uma nota afirmando que lamenta a situação e que todas as providências legais serão adotadas. A direção da escola não quis se pronunciar. O espaço segue aberto.
“Eu vou lutar pelos direitos dos meus filhos, porque essa luta também é por outras famílias e por um bem maior”, concluiu Beatriz.
Jovem com autismo é impedido de entrar em show em SC e família denuncia
Outro caso de repercussão em Joinville foi de um jovem de 25 anos, fã da banda Corpo e Alma, que acabou impedido de entrar em um show na Sociedade Esportiva e Recreativa Vera Cruz, na última sexta-feira (28). A família alega que a proibição ocorreu pelo fato de ele ser autista. O caso gerou repercussão e motivou manifestações na internet.
Lucas Amaral Ferreira não conteve as lágrimas ao assistir vídeo da banda – Vídeo: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
Banda Corpo e Alma grava vídeo se sensibilizando com o jovem barrado em show – Vídeo: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND