
Centenas de milhares de turistas visitam o Norte da Noruega. Porém, há um mundo que eles nunca veem. Escondidos dentro de cavernas nas montanhas estão os bunkers da 2° Guerra Mundial, caças e submarinos nucleares.
No auge da 2ª Guerra Mundial e da Guerra Fria, o país montanhoso e pouco povoado tinha aproximadamente 3 mil instalações subterrâneas, onde as forças armadas podia se esconder e dificultar a vida de qualquer invasor.
Agora com a guerra entre Rússia e Ucrânia em andamento, a Noruega está reativando bunkers da 2ª Guerra Mundial e duas das estruturas subterrâneas mais icônicas da Guerra Fria: hangares da estação aérea de Bardufoss e a base naval de Olavsvern.

Bases militares e bunkers da 2° Guerra Mundial na Noruega estão sendo reativadas nos dias de hoje – Foto: Reprodução/Wikipedia/ND
Por que esses bunkers da 2ª Guerra Mundial são necessários hoje?
Em imagens promocionais da reabertura dos hangares em Bardufoss, o caça da Lockheed Martin – o F-35 Lightning II – aparece sob as luzes do teto arqueado do hangar.
A estação aérea, inaugurada em 1938, já foi usada por caças alemães para proteger o gigantesco navio de guerra Tirpitz enquanto ele estava ancorado em um fiorde próximo.
Após a guerra, a Força Aérea Real Norueguesa usou os hangares nas montanhas para proteger seus aviões de caça de um possível ataque soviético.

Caça estacionado no bunker na Noruega – Foto: Reprodução/Wikipedia/ND
Esses hangares tinham tudo que aviões e seus pilotos precisavam, como armazenamento de combustível, de armas, espaço para manutenção dos sistemas da aeronave e alojamentos para a tripulação. Então, há cerca de 40 anos, elas foram fechadas e mineradas.
Essa base militar passou por atualizações estruturais e de equipamentos, tem como objetivo ajudar na “resiliência e capacidade de sobrevivência” dos F-35 da Noruega no caso de um ataque russo.
A invasão russa da Ucrânia mostrou ao mundo o quão vulneráveis aeronaves militares caras como esses F-35s de € 80 a € 100 milhões (mais de R$ 622 milhões) podem ser quando em solo, especialmente a ataques de drones “kamikazes” que podem custar apenas € 300 (o equivalente a R$ 1.800).
Em vez de colocar pneus nas asas ou construir hangares com tela de arame, como os russos fizeram na Ucrânia, a ameaça dos drones pode ser limitada dispersando alvos em muitos locais diferentes. Ou, melhor ainda, mantendo a aeronave dentro de um abrigo seguro e protegido.
A base naval
A base naval de Olavsvern está localizada perto de onde o Mar da Noruega encontra o Mar de Barents, naqueles 650 km ou mais entre o litoral da Noruega.
A construção da base naval foi feita a partir da década de 1950, em resposta à formação da Frota do Norte Soviética. A base era tão grande para a Noruega que a OTAN teve de financiar grande parte dele.

Base Naval de Olafsvärn, na Noruega é um dos bunkers da 2ª Guerra Mundial – Foto: Reprodução/Wikipedia/ND
Em 2009, o parlamento norueguês votou por uma pequena margem para fechar a base ultrassecreta de Olavsvern, apesar da crescente ameaça da Rússia.
Os túneis estavam cheios de caravanas e carros antigos. O novo proprietário permitiu que dois navios de pesquisa russos e barcos de pesca russos usassem as instalações antes protegidas.
As preocupações de segurança da Noruega com os bunkers da 2ª Guerra Mundial não começaram em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, ou em 2014, quando invadiu a Crimeia, mas ainda antes.
“Por volta de 2006-2008, vimos que havia muito investimento na Frota do Norte da Rússia”, diz Andreas Østhagen, pesquisador sênior do Instituto Fridtjof Nansen, uma fundação norueguesa. E ele continua: “Ao mesmo tempo, tivemos a retomada dos exercícios militares russos no Ártico pela primeira vez desde a Guerra Fria, bem como o crescente interesse da Rússia em explorar os recursos do Ártico.”
“A Rússia de Putin não é a União Soviética”, acrescenta Østhagen. “Mas, de uma perspectiva de segurança norueguesa, as questões permanecem as mesmas. Como você desencoraja a Rússia e, se você acabar em guerra, como você luta contra a Rússia?”
Ativação de outras bases e bunkers da 2ª Guerra Mundial
Os noruegueses não são os únicos a reativar bases e bunkers da 2ª Guerra Mundial. Os russos também reativaram nos últimos anos cerca de 50 bases da Guerra Fria de vários tipos em todo o Ártico. A marinha sueca retornou à sua base naval subterrânea na ilha de Muskö, a cerca de 40 km de Estocolmo.
Outros países foram além de reativar bunkers da 2ª Guerra Mundial de armazenamento construídas décadas atrás e estão construindo novas estruturas subterrâneas.
Outro país que construiu uma nova e enorme base subterrânea de submarinos na Ilha de Hainan, foi a China no disputado Mar da China Meridional. Também está construindo um novo e enorme centro de comando subterrâneo perto de Pequim.
“A psicologia dos abrigos nucleares é realmente muito forte hoje”, diz o pesquisador independente da Guerra Fria e blogueiro militar conhecido como Sir Humphrey, nome do blog do autor do blog Thin Pinstriped Line, que estuda a Guerra Fria. “Acredito que elas estão profundamente enraizadas em nossa psique e em nossa percepção da Guerra Fria.
Há também o problema de que, se eles foram desativados como o Olavsvern, sua segurança pode ter sido comprometida por serviços de inteligência estrangeiros, mesmo que não tenham recebido visitas de navios de pesquisa russos.
Entretanto, no Reino Unido, o bunker do Comando Aéreo da RAF construído durante a Guerra Fria em Buckinghamshire ainda está em uso, assim como os bunkers que compõem o Quartel-General de Northwood, um quartel-general militar no noroeste de Londres, que foi reconstruído entre 2006 e 2011.
O MOD Corsham é agora um local secreto de comunicações militares construído na vasta rede de túneis de Corsham, que era o local do “quartel-general de guerra nuclear” do governo do Reino Unido.
Por razões de segurança nacional, o gabinete britânico começou a atualizar e retirar documentos sobre planejamento de guerra nuclear que haviam sido tornados públicos após o fim da Guerra Fria.