

Palavras com o prefixo “a-” indicam privação, como em Abléfaro – Foto: Imagem gerada por IA/ND
A língua portuguesa está repleta de palavras formadas por prefixos e raízes de origem grega e latina, muitas vezes usadas em contextos especializados, como a medicina. Um exemplo é “abléfaro”, que significa “sem pálpebras”.
O especialista em linguística Carlos Rocha explica que palavras com o prefixo “a-” indicam privação, como em “analfabeto” ou “apático”.
A origem da palavra abléfaro
Em abléfaro, o termo tem origem no grego ablépharos que, por sua vez, tem origem no blépharon (pálpebra).

O termo tem origem no grego ablépharos que, por sua vez, tem origem no blépharon (pálpebra) – Foto: Reprodução/ND
O radical blefar- aparece em termos científicos como “blefarite” (inflamação das pálpebras) e “blefarismo” (espasmo das pálpebras).
Além disso, blépharon está relacionado ao verbo grego blepô (“olhar”), cuja raiz blep- originou palavras como “ablepsia” (cegueira) e “abléptico” (cego).
O especialista também aponta que o verbo blepô pode ter se formado a partir das raízes indo-europeias das palavras “gu̯el” (“atirar”) e “oku̯” (“olho”), sugerindo que olhar pode ser metaforicamente comparado a lançar os olhos para algo.