
Casal reuniu amigos para uma ação solidária neste sábado (5), no Centro de Hematologia do Hospital Irmãos Penteado. Ao todo, foram registradas 19 doações. Thaís e Raphael são os primeiros a doar sangue em despedida de solteiro solidária.
Aline Nascimento/g1
O cenário deixava claro que a manhã deste sábado (5) não era de um dia comum no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Hospital Irmãos Penteado, em Campinas (SP).
Tapete vermelho, mural de fotos e uma turma animada, com camisetas estilizadas e plaquinhas divertidas, estava à espera dos noivos – sim, noivos!, para uma doação de sangue solidária.
Cercados por um time de padrinhos e madrinhas, Thais e Raphael promoveram uma despedida de solteiro que ficará marcada na história do casal, mas que também foi importante para o banco de sangue, que vive um momento de escassez de doações.
E a despedida solidária teve direito a noiva de véu, muitas fotos e brinde dos noivos, com refrigerante!
O g1 acompanhou toda a ação, inclusive no momento em que noivos e padrinhos realizaram a doação — a maioria, pela primeira vez.
Receba as notícias da região de Campinas no WhatsApp
Apesar de alguns integrantes terem sido “barrados”, como o caso de um padrinho que apresentou quadro de pressão alta, os profissionais do centro afirmaram que a atitude do casal e amigos foi essencial – foram registradas 19 doações – , já que eles têm registrado queda de até 20% no volume de doações.
O Centro de Hematologia, onde cinco padrinhos já fazem a doação com regularidade, atende 70% dos hospitais privados de Campinas e região.
Thaís e Raphael brindam após doar sangue.
Aline Nascimento/g1
Ideia do tio
Após o pedido de casamento, Thais e Raphael passaram a idealizar como celebrariam a união. O casal deixou de lado a tradicional festa às vésperas da cerimônia, e decidiu que a melhor escolha era fazer uma série de atividades com o grupo de padrinhos e madrinhas.
Roger Mantovani, padrinho e tio da noiva, e que é doador de sangue, sugeriu que eles começassem a despedida de solteiro com a doação conjunta.
“Nós estávamos conversando sobre o que fazer para deixar esse momento inesquecível, e como eu sou doador de sangue há dez anos, resolvi dar a ideia”, conta Mantonvani.
Os padrinhos e madrinhas abraçaram a ideia e vestiram a camisa pela causa: todos compareceram ao mesmo centro para fazer a doação.
“”Estar dando esse momento inesquecível para os noivos, também estamos ajudando ao próximo”, diz Mantovani.
📆 Além da doação de sangue, a programação da despedida de solteiro dos noivos também conta com uma corrida de Stock Car em São Paulo (SP), uma ‘maratona de boteco’ e, para finalizar, uma festa temática de festa junina às vésperas do casório.
Grupo de padrinhos faz despedida de solteiro com doação de sangue.
Aline Nascimento/g1
Dia D
Com placas divertidas, tapete vermelho e um grande mural em formato de coração, o Centro de Hematologia e Hemoterapia entrou no clima do casamento, e organizou uma celebração para os doadores.
Os noivos também entraram no clima e se vestiram a caráter. Enquanto, os padrinhos estavam uniformizados com uma camiseta personalizada para ocasião.
“Está sendo muito importante para gente. Vai ser a primeira vez que doou sangue e que o Raphael doa sangue. A gente sempre teve um relacionamento baseado no respeito, na união e na cumplicidade. Então, fazer isso representa um pouco de tudo o que a gente já é e reforça o que a gente quer manter para o nosso relacionamento”, disse a noiva Thaís Zani.
Thaís e Raphael vestem-se à cárater para doar sangue, pela primeira vez, em despedida de solteiro.
Aline Nascimento/g1
Pela primeira vez
Do grupo, apenas cinco pessoas já tinham a experiência de doar sangue. Todos os outros, incluindo os noivos, passaram pelo processo pela primeira vez.
E a vivência foi mais desafiadora para alguns. Cássio, padrinho de batismo e do casamento da noiva, topou participar da doação mesmo tendo um histórico complicado com sangue.
“[Estou] um pouco nervoso. Antigamente, eu via sangue e tinha a tendência de desmaiar, passar um pouco mal. Mas estou animado. Hoje não vou passar mal, hoje [vou seguir o] meu slogan: doar uma dose de esperança”, diz.
Infelizmente, Cássio estava com a pressão alta, o que impossibilitou a doação o sangue neste sábado.
Letícia, a irmã da noiva, superou o medo de agulha em prol do casamento.
Aline Nascimento/g1
Letícia, a irmã da noiva, estava com um pouco de medo antes de entrar no consultório.
Para facilitar o processo – e diminuir o nervosismo -, conta que bebeu três garrafas de água enquanto seguia para o Centro de Hematologia.
“Eu tenho um pouco de medo de agulhas, mas se eu aguentei fazer tatuagens vou aguentar a agulha para doar sangue”, diz.
Padrinhos e madrinhas “vestiram camisa” em despedida de solteiro com doação de sangue, em Campinas (SP).
Aline Nascimento/g1
Tatuados
Entre os mais novos e os mais velhos, quase todos que participaram da ação tinham algo em comum: o corpo tatuado.
Como é necessário manter um intervalo entre a última tatuagem e o dia de doar sangue, os novos desenhos pelo corpo tiveram que esperar.
Letícia, que trabalha como tatuadora, coleciona 48 tatuagens pelo corpo. Ela precisou dar um tempo nos novos desenhos pelo seu corpo para garantir que conseguiria participar da atividade proposta pela irmã e cunhado. Com a doação feita, a jovem logo marcará a data para cobrir as suas costas.
A tatuagem sempre foi um dilema para Raphael, o noivo. Ele já tinha tentado doar algumas vezes, mas por conta da frequência das tatuagens, ele nunca pode alcançar a meta.
“Eu deixei programado para tentar, e dessa vez deu certo. A vontade de fazer tatuagem, as vezes, supera […] A gente já faz tatuagem… uma agulhinha a mais, uma a menos”, explica.
Foto do pedido de casamento de Thaís e Raphael, pendurada na decoração preparada pela equipe dos Irmãos Penteado.
Aline Nascimento/g1
Ainda não tenho 16
Enquanto os adultos doavam o sangue, um rosto espiava pela janela: Isabela, de 11 anos, será a dama de honra da cerimônia e esteve no local com todos, mesmo não tendo 16 anos completos para doar.
Ao ficar sabendo que a prima iria começar a celebração do seu casamento com uma doação de sangue, achou diferente e honroso. “Acho que vai fazer bem, porque doar sangue vai fazer ter mais vidas. Vai fazer outras pessoas viverem”, explica.
“Eu nunca ouvi falar sobre despedida de solteiro com doação de sangue. Então, eu achei muito bom”, explicou.
Ver a família se mobilizando inspirou Isabela.
“Eu acho que eu possa doar sangue quando eu ficar maior, porque doar sangue faz bem para o mundo, e vai fazer outras pessoas terem a chance de se casar ou de viver mais”.
Dama de honra do casamento, Isabela não pode participar o mutirão por não ter 16 anos compeltos.
Aline Nascimento/g1
Consegui doar!
Os noivos foram os primeiros a fazer a doação. Juntos e sentados em macas próximas, os dois fizeram a coleta ao mesmo tempo.
A sala não era tão grande para comportar todos os padrinhos de uma vez. Mas, as limitações físicas do lugar não impediram que todos acompanhassem de perto os noivos.
Em uma janela, eles levantavam placas e saltavam em comemoração.
Após entregarem a bolsa de sangue, o hospital ofereceu ao casal um brinde com refrigerante de limão.
“Certamente voltarei. É bem gratificante essa sensação de saber que você está fazendo uma coisa que vai ajudar outras pessoas”, relatou Thaís após fazer a sua primeira doação.
Padrinhos incentivam noivos na doação de sangue por janela do consultório.
Aline Nascimento/g1
*Sob supervisão de Fernando Evans
VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região
Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas