DF teve 215 feminicídios em 10 anos; maioria dentro de casa e por ciúmes


Dados são de monitoramento da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF). Apenas no início de 2025, foram 6 casos; último aconteceu em 31 de março, quando mulher foi morta na frente dos filhos. Imagem ilustrativa de mulher vítima de violência.
Geovana Albuquerque/Agência Brasília
O Distrito Federal teve 215 feminicídios em 10 anos – 209 confirmados e 6 sob análise – segundo dados do painel de monitoramento da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF). A maioria das mortes aconteceram dentro de casa e por ciúmes.
🚨 Veja no final da reportagem detalhes de como pedir ajuda.
🔎 Os dados apresentados reúnem números de 2015 até 1° de abril de 2025.
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Apenas neste ano, até 1° de abril, foram seis casos. O último confirmado, foi em 31 de março, quando Maria José Ferreira foi morta pelo companheiro na frente dos filhos.
A Polícia Civil do DF ainda investiga um possível feminicídio que, se confirmado, será o sétimo caso do ano. Na última quarta-feira (2), o corpo de uma mulher que estava desaparecida desde janeiro foi encontrado enterrado em uma área rural de Planaltina. O marido da vítima, com quem ela tinha um relacionamento conturbado, foi preso também na quarta.
🔎 A SSP também registrou, entre março de 2015 e 28 de fevereiro de 2025, 721 tentativas de feminicídio. Destas, 294 mantêm-se tipificadas como feminicídio tentado e 427 foram tipificadas com natureza diversa.
Crime anunciado
Segundo a defensora Rafaela Ribeiro Mitre, chefe do Núcleo de Assistência Jurídica de Promoção e Defesa das Mulheres da Defensoria Pública do DF (DPDF), o feminicídio é um crime anunciado, antecedido por diversos atos de violência.
Só nesta última semana, o DF teve diversos casos de violência contra a mulher:
Mulher teve a casa incendiada por ex que não aceitou fim de relacionamento;
Menina de 13 anos foi dopada e estuprada;
Mulher foi sequestrada pelo ex e ficou refém por 20h;
Mulher internada quase foi agredida pelo ex que fingiu ser paciente da mesma UPA;
Mulher teve prótese de silicone arrancada com faca por companheiro.
➡️ É importante incentivar que vítimas de violência denunciem, e que as famílias, amigos, centro religiosos e órgãos de segurança também acolham essas mulheres, sem julgamentos, e ajudem nas denúncias.
Rafaela Ribeiro Mitre aponta que vítimas podem ficar presas em um relacionamento devido à dependência financeira, medo e isolamento.
“A gente tem que falar muito dessas violências iniciais. É importante não só a vítima reconhecer isso, como o sistema de Justiça e a rede de proteção dessa mulher, como amigo, familiar, vizinho, intervenha desde esse primeiro ato”, diz a defensora pública.
🔎 Rafaela Ribeiro Mitre ainda destaca que a maioria das vítimas de violência são negras. Além disso, a maior parte dos autores dos crimes tiveram relações afetivas com as vítimas.
Motivos e meios para feminicídios
A maioria dos casos de feminicídio no DF foi motivada por ciúmes e, em segundo lugar, término de relacionamento (veja abaixo). A SSP-DF ainda aponta que 71% dos crimes ocorreram no interior de residências.
“Esse cenário reforça a importância da denúncia como ferramenta essencial para a proteção das vítimas”, diz a SSP-DF.
👉 A defensora Rafaela Ribeiro Mitre diz que mulheres que sofrem com ciúme excessivo ou perseguição de outra pessoa, por exemplo, podem pedir medida protetiva (veja detalhes mais abaixo, em “como pedir ajuda”).
Os dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) mostram que arma branca (objetos usados para agressão, como faca e canivete), foi o principal meio empregado pelos autores para cometer o feminicídio, em 112 casos (veja acima).
Em 30 dos casos a arma de fogo foi utilizada. Já em 6 casos os autores usaram fogo para matar as mulheres.
Regiões Administrativas (RA) com maior número de casos
Sobre os locais dos crimes, Ceilândia é a região administrativa do DF com o maior número de casos, seguida de Samambaia e Santa Maria (veja acima).
Feminicídios em 2025
Seis casos de feminicídio foram registrados no DF nos primeiros meses de 2025. Todas as vítimas eram mães e 80% dos autores dos crimes têm antecedentes criminais.
Assim como no cenário geral, a maioria das mortes foi por arma branca, dentro de casa e por ciúmes.
Relembre os casos:
5 de janeiro: Ana Moura Virtuoso, na Estrutural;
15 de fevereiro: vítima não identificada, entre Taguatinga e Samambaia;
24 de fevereiro: Géssica Moreira de Sousa, em Planaltina;
26 de fevereiro: Ana Rosa Brandão, no Cruzeiro;
29 de março: Dayane Barbosa, na Fercal;
31 de março: Maria José Ferreira, no Recanto das Emas.
🔎 A Polícia Civil ainda investiga um sétimo caso, como possível feminicídio: o corpo de uma mulher, que estava desaparecida desde janeiro deste ano, foi encontrado enterrado em uma área rural de Planaltina, no Distrito Federal, na quarta-feira (2). O marido da vítima, com quem ela tinha um relacionamento conturbado, foi preso.
🚨 Como pedir ajuda
A Secretaria de Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) tem canais de atendimento que funcionam 24h. As denúncias e registros de ocorrências podem ser feitos pelos seguintes meios:
Telefone 197 (Polícia Civil)
Telefone 190 (Polícia Militar)
E-mail: [email protected]
Delegacia mais próxima
Delegacia eletrônica
WhatsApp: (61) 98626-1197
O DF tem duas delegacias especializadas no atendimento à mulher (Deam), na Asa Sul e em Ceilândia, mas os casos podem ser denunciados em qualquer unidade.
Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM)
Endereço: EQS 204/205, Asa Sul
Telefones: (61) 3207-6172
Delegacia de Atendimento Especial à Mulher (DEAM II)
Endereço: QNM 2, Conjunto G, Área Especial, Ceilândia Centro
Telefone: (61) 3207-7391
O Ministérios das Mulheres tem uma Central de Atendimento à mulher, que pode ser contatada 24h através do telefone 180. A central ajuda com registro e orientações sobre denúncias.
Medidas protetivas
A defensora Rafaela Ribeiro Mitre explica que as mulheres não necessitam de um fato que é considerado crime para solicitar uma medida protetiva.
🔎Ciúme excessivo, perseguição ou controle de patrimônio, por exemplo, já são situações em que a mulher pode solicitar a proteção.
Segundo o Tribunal de Justiça do DF (TJDFT), a medida protetiva pode ser solicitada através da Polícia Civil: na Delegacia da Mulher ou na Delegacia de Polícia mais próxima, pelo site da Delegacia Eletrônica, ou pelo número 197 (opção 3).
A autoridade policial registrará o pedido e irá remetê-lo ao juiz(a), que deverá apreciar este requerimento em até 48 horas.
👉 Caso a medida protetivas concedida não cesse as agressões ou ameaças, a mulher pode solicitar outras medidas protetivas mais adequadas, bem como denunciar o descumprimento da medida. O descumprimento é configurado crime.
Assistência Jurídica da Defensoria Pública
O Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) oferece assistência jurídica e orientação.
Endereço: Fórum José Júlio Leal Fagundes, Setor de Múltiplas Atividades Sul, Trecho 3, Lotes 4/6, Bloco 4
Horário: de segunda a sexta, das 13h às 18h (dias úteis)
Contato: 129 ou (61) 3465-8200
📌 VEJA AQUI a cartilha da Defensoria Pública do DF que apresenta os tipos de violência e explica formas de denúncia, além dos tipos de medidas protetivas.
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